Instalações Elétricas - Ademaro A. M. B. Cotrim
Capítulo 3 - Proteção contra coques elétricos - fundamentos
UFMG - DEE
Qualquer atividade biológica é estimulada ou controlada por impulsos de corrente elétrica.
Tetanização: Contração muscular produzida por corrente elétrica. Diversos estímulos simultâneos produzem contrações repetidas (contração tetânica).
A pessoa pode ficar “agarrada” à peça sob tensão durante a diferença de potencial.
Limite de largar: Valor máximo de corrente que uma pessoa, tendo à mão um objeto energizado, pode ainda o largar.
Queimaduras: Passagem da corrente é acompanhada do desenvolvimento de calor por efeito Joule. A situação é mais crítica na entrada e saída devido à:
Fig. 1: Ciclo cardíaco com indicação do período vulnerável dos ventrículos.
Fig. 2: Eletrocardiograma (ECG) que mostra a fibrilação ventricular e a pressão arterial.
Fig. 3: Zonas de efeito de corrente alternada (15 a 100 Hz) entre mão e pé sobre as pessoas.
Tab. 1: Valores do fator de corrente do coração (F) para diferentes trajetos da corrente.
Fig. 4: Corrente elétrica versus freqüência para a mesma contração muscular.
Fig. 5: Modelo de impedância para o corpo humano.
Tab. 2: Classificação dos métodos de proteção contra choques elétricos.
Fig. 6: Impedância do corpo humano em função da tensão de contato (CA com até 100 Hz).
Tab. 3: Valores da tensão de contato-limite UL (V).
Tab. 4: Valores típicos de resistividade de solos.
\[R_T = \frac{U_T}{I}\]
Fig. 9: Resistência de aterramento e variação da tensão.
Fig. 10: Condutor elétrico equivalente de seção variável.
Fig. 11: Corrente circulando entre dois eletrodos independentes.
Fig. 12: Tensão de passo UP.


\[U_F = U_B + U_R \tag{3.5}\]
Tab. 5: Eletrodos de aterramento mais comumente utilizáveis.
Fig. 14: Eletrodo constituído por uma haste cravada verticalmente no solo.
Fig. 15: Hastes em paralelo.
O livro apresenta expressões aproximadas para o cálculo da resistência de aterramento (\(R_T\)) de diferentes tipos de eletrodo, úteis em subestações e instalações industriais.
(a) Haste cravada verticalmente — Expressão 3.6, já mostrada na Figura 3.15:
\[R_T = \frac{\rho}{2\pi l}\ln\left(\frac{4l}{d}\right) \tag{3.6}\]
onde \(\rho\) (\(\Omega \cdot m\)) é a resistividade do solo, \(l\) (m) é o comprimento da haste e \(d\) (m), seu diâmetro.
(b) Condutor enterrado horizontalmente no solo:
\[R_T = \frac{2\rho}{l} \tag{3.7}\]
onde \(l\) (m) pode ser:
(c) Chapa enterrada verticalmente:
\[R_T = 0{,}8\,\frac{\rho}{l} \tag{3.8}\]
onde \(l\) (m) é o perímetro da placa.
(d) Viga metálica (perfil estrutural) enterrada:
\[R_T = 0{,}366\,\frac{\rho}{l}\log\left(\frac{3l}{a}\right) \tag{3.9}\]
onde \(l\) (m) é o comprimento da viga enterrada no solo e \(a\) (m) é o diâmetro do círculo circunscrito à sua seção transversal.
Fig. 16: No eletrodo B, situado na área de influência do eletrodo A, aparece uma tensão devida à corrente que se dispersa por A.
Fig. 17: Características do solo não-homogêneo e independência de eletrodos.
Fig. 18: Distância mínima de separação entre sistemas de aterramento.
Fig. 19: Barramento de eqüipotencialização principal.
\[I_{cc} = \frac{U_{FN}}{R_M + R_F} \tag{3.10}\]
Fig. 22: Esquema TN.
Classificação dos equipamentos elétricos quanto à proteção contra choques (tensões até 400 V entre fases):
Valores máximos típicos (resumo — IEC 60335):
| Equipamento | Corrente de fuga máxima |
|---|---|
| Classes 0, 0I e III | 0,5 mA |
| Portátil classe I | 0,75 mA |
| Estacionário classe I | 0,75 mA (ou 0,75 mA/kW, máx. 5 mA) |
| Classe II | 0,25 mA |
| Grau IP | 1º algarismo (sólidos) | 2º algarismo (líquidos) |
|---|---|---|
| IP54 | 5 — protegido contra poeira (penetração não evitada totalmente, mas sem prejuízo ao funcionamento) | 4 — protegido contra respingos de qualquer direção |
| IP65 | 6 — totalmente protegido contra poeira | 5 — protegido contra jatos de água |
| IP66 | 6 — totalmente protegido contra poeira | 6 — protegido contra jatos de água potentes (condições de convés de navio) |
Fig. 24: Zona de alcance normal.
Resumo — relevante para corredores de painéis, salas elétricas e subestações:
| Situação | Com proteção (obstáculos) | Sem proteção |
|---|---|---|
| Entre obstáculos / manípulos / parede | 0,7 m | — |
| Altura de passagem sob tela ou painel | 2,0 m | — |
| Altura das partes vivas acima do solo | — | 2,3 m |
| Passagem entre partes vivas (só manutenção, com barreiras) | — | 1,0 m |
| Passagem entre partes vivas (operação e manutenção, sem barreiras) | — | 1,5 m |
Fig. 25: Passagens destinadas à operação e manutenção em locais com proteção parcial por meio de obstáculos.
COTRIM, Ademaro A. M. B. Instalações Elétricas. 5ª Edição. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2009.
Quais são os principais efeitos que uma corrente elétrica externa pode produzir no corpo humano?
Tetanização, parada respiratória, queimaduras e fibrilação ventricular.
Defina o que é o conceito “limite de largar” de uma corrente elétrica.
É o valor máximo de corrente que uma pessoa suporta e ainda consegue soltar o condutor, usando os músculos voluntariamente estimulados.
Quais são os valores médios do “limite de largar” em CA para 50 e 60 Hz para homens e mulheres?
Cerca de 10 mA para mulheres (faixa 6 a 14 mA) e 16 mA para homens (faixa 9 a 23 mA).
O que é o fenômeno da fibrilação ventricular?
É o fenômeno fisiológico mais grave, onde as fibras do coração passam a contrair-se de forma caótica e desordenada, interrompendo a circulação sanguínea e levando a pressão arterial a zero.
Quais são as principais variáveis que influem no valor da resistência elétrica do corpo humano?
Estado da pele (umidade, calos, cortes), local do contato (trajeto da corrente), área e pressão de contato, duração do contato, natureza da corrente, tensão do choque, e fatores orgânicos como taxa de álcool ou cansaço.
Como se definem proteção básica e proteção supletiva?
Proteção básica atua contra contatos diretos (ex: isolação e barreiras). Proteção supletiva atua contra contatos indiretos, no caso de falha da proteção básica (ex: seccionamento automático e equipotencialização).
O que são proteção passiva e proteção ativa contra choques elétricos?
Proteção passiva limita a corrente ou impede o acesso sem interromper o circuito. Proteção ativa utiliza dispositivos que seccionam (abrem) o circuito automaticamente em caso de falta.
Quais as condições de influências externas devem ser observadas na seleção das medidas de proteção contra choques elétricos?
Competência das pessoas (BA), resistência elétrica do corpo (BB) e contato das pessoas com o potencial da terra (BC).
Qual é a diferença entre aterramento e eqüipotencialização?
Aterramento é a ligação elétrica intencional ao solo (terra). Eqüipotencialização é a ligação elétrica de massas e elementos condutores entre si para deixá-los no mesmo potencial, que pode ou não ser o da terra.
Que valores podem ter as duas letras utilizadas na simbologia dos esquemas básicos de aterramento?
Primeira letra (Alimentação em relação à terra): T (diretamente aterrado) ou I (isolado/impedância). Segunda letra (Massas): T (aterradas independentemente) ou N (ligadas ao aterramento da fonte).
UFMG | ELE618 - Sistemas Elétricos Industriais