ELE618 - Sistemas Elétricos Industriais

Instalações Elétricas - Ademaro A. M. B. Cotrim
Capítulo 5 - Linhas elétricas

Prof. Dr. Thales A. C. Maia

UFMG - DEE

Aspectos gerais

Condutores elétricos - 1 parte

Os condutores elétricos são os principais componentes das linhas elétricas. Os componentes “elementares” são:

  • Fio: produto metálico maciço e flexível, de seção transversal invariável.
  • Condutor encordoado: fios dispostos helicoidalmente, conferindo maior flexibilidade. Pode ser compactado ou não.
  • Cabo: conjunto de fios encordoados, isolados ou não entre si, podendo o conjunto ser isolado ou não.
  • Corda: componente de um cabo, constituído por um conjunto de fios encordoados e não isolados.
  • Barra: condutor rígido, em forma de tubo ou perfilado, fornecido em trechos retilíneos.
  • Linha pré-fabricada: peças em tamanhos padronizados, com proteção mecânica (ex: barramentos blindados).
  • Barramento: conjunto de barras de mesma tensão nominal.

Fig. 1: Cabos com encordoamento simples (a) e composto (b). Os espaços vazios do terceiro ao último cabo de (b) são os mesmos da perna preenchida.

Condutores elétricos - Classe de encordoamento

A NBR NM 280 define seis classes de encordoamento para cobre:

  • Classe 1: sólidos (fios).
  • Classe 2: encordoados, compactados ou não.
  • Classe 3: encordoados não compactados.
  • Classes 4, 5 e 6: flexíveis, com graus de flexibilidade crescentes.

Condutores elétricos - 2 parte

  • Cabo: é o conjunto de fios encordoados, isolados ou não entre si, podendo o conjunto ser isolado ou não.
  • Corda: é um componente de um cabo, constituído por um conjunto de fios encordoados e não isolados entre si.
  • Coroa: conjunto de componentes ou de partes de componentes de um cabo, dispostos helicoidalmente e eqüidistantes de um centro de referência.
  • Alma: fio ou conjunto de fios que formam o núcleo central do cabo, para aumentar a sua resistência mecânica.
  • Cabos de potência: são os cabos usados para o transporte de energia elétrica em instalações de geração, transmissão, distribuição e utilização.
  • Cabos de controle: são utilizados nos circuitos de controle de sistemas e equipamentos.
  • Cabo revestido: é um cabo sem isolação ou cobertura, constituído por fios revestidos.
  • Isolação: é o conjunto dos materiais isolantes utilizados para isolar eletricamente.

Fig. 2: Exemplo de cabos de alumínio com alma de aço (CAA).

Fig. 3: Cabo de controle tipo Sintenax.

Condutores elétricos - 3 parte

  • Condutor isolado: o fio ou cabo dotado apenas de isolação, e esta pode ser constituída por uma ou mais camadas.
  • Cobertura: em um fio ou cabo é um invólucro externo não metálico e contínuo.
  • Fio nu: é um fio sem revestimento, isolação ou cobertura.
  • Cabo unipolar: é um cabo isolado dotado de cobertura\({}^{1}\).
  • Cabo multipolar: é constituído por dois ou mais cabos isolados e dotado, no mínimo, de cobertura\({}^{1}\).
  • Armação: é o elemento metálico de um cabo que o protege contra esforços mecânicos.
  • Acolchoamento: consiste no material não metálico que protege mecanicamente o componente situado sob a armação.
  • Cabo multiplexado: é um cabo formado por dois ou mais condutores isolados ou por cabos unipolares, dispostos helicoidalmente.

\({}^{1}\)Em ambos, a cobertura age como proteção da isolação.

Fig. 4: Condutores isolados da linha Superastic cuja isolação é constituída por duas camadas de PVC, sendo a camada externa mais resistente à abrasão e bastante deslizante.
Fig. 5: Cabos uni e multipolar.
Fig. 6: Cabo coberto utilizado em redes aéreas de distribuição.
Fig. 7: Cabo multiplexado.

Condutores elétricos - 4 parte

  • Condutor setorial: é um condutor cuja seção transversal tem a forma aproximada de um setor de um círculo.
  • Cabo setorial: é um cabo multipolar cujas veias são condutores isolados setoriais.
  • Cordoalha: é um condutor com forma de tecido de fios metálicos.
  • Cordão: é um cabo flexível com reduzido número de condutores isolados.
  • Blindagem: é o envoltório condutor ou semicondutor, aplicado sobre o condutor ou sobre o condutor isolado.
  • Cabos secos: são cabos unipolares ou multipolares cuja isolação é constituída exclusivamente por material sólido.
  • Cabo sob pressão: é um cabo de potência cuja isolação é mantida sob pressão superior à pressão atmosférica.
  • Cabo concêntrico: é um cabo multipolar constituído por um condutor central isolado.
Fig. 8: Cabo tripolar setorial.
Fig. 9: Cordões.
Fig. 10: Cabo concêntrico.

Aplicação dos cabos de potência

  • Condutores isolados: circuitos terminais, circuitos de distribuição e ligações internas de quadros de distribuição (principalmente os flexíveis).
  • Cabos unipolares: circuitos terminais e circuitos de distribuição.
  • Cabos multipolares: circuitos terminais, circuitos de distribuição e ligações de equipamentos móveis ou portáteis (os cabos flexíveis).
  • Cabos multiplexados: circuitos de distribuição e circuitos terminais (em certos casos).
  • Cordões: ligações de equipamentos móveis ou portáteis.

Temperaturas de Serviço

  • Regime permanente: temperatura máxima para serviço contínuo.
  • Sobrecarga: temperatura alcançada em regime de sobrecarga.
  • Curto-circuito: temperatura alcançada durante o período de curto-circuito.

Cobre versus Alumínio

  • Cobre: Mais usado, melhor condutividade, menos oxidação, maior eletropositividade (menos corrosão galvânica).
  • Alumínio: Mais leve (densidade menor), custo menor, ideal para linhas aéreas de transmissão/distribuição.

Resistência de um condutor: \[ R = \rho \frac{l}{S} ~ (\Omega) \]

onde, \(\rho\) é a resistividade do material.

\[ \rho = R \frac{S}{l} ~ (\Omega \cdotp m \hspace{0.5em} \text{ou} \hspace{0.5em} \Omega \cdotp mm^2 / m) \]

Variação da resistividade com a temperatura: \(\rho_2 = \rho_1 [1 + \alpha_1 (\theta_2 - \theta_1)]\)

A resistência em corrente alternada é aumentada pelos efeitos pelicular e de proximidade.

Resistência normativa – NBR NM 280

A norma define a resistência a 20°C, \(R_{20}\), considerando a geometria real do encordoamento (Expressão 5.7):

\[ R_{20} = \frac{4\rho_{20}}{n \pi d^2} k_1 k_2 k_3 \quad (\Omega/km) \]

  • \(\rho_{20}\): resistividade padrão (Cobre: \(17,241\times10^{-3}\); Alumínio: \(28,264\times10^{-3}\) \(\Omega \cdotp mm^2/m\)).
  • \(n\): número de fios do condutor; \(d\): diâmetro de cada fio (mm).
  • \(k_1\): depende do diâmetro do fio e do material (Tabela 5.3).
  • \(k_2\): depende da classe de encordoamento (Tabela 5.4).
  • \(k_3\): 1,00 (isolados, unipolares e multipolares não torcidos); 1,05 (multipolar flexível de cobre); 1,20 (multipolar de alumínio ou multipolar não flexível de cobre, torcidos).

Fatores \(k_1\) e \(k_2\) (resumo — NBR NM 280)

Tab. 1: Tabela 5.3 (resumida)
Diâmetro do fio (mm) \(k_1\) maciço \(k_1\) encordoado
até 0,31 1,04 – 1,07
0,31 – 3,60 1,03 – 1,05 1,02 – 1,04
acima de 3,60 1,03 – 1,04
Tab. 2: Tabela 5.4 (resumida)
Situação \(k_2\) (Cu) \(k_2\) (Al)
Condutores maciços 1,00 1,00
Encordoados cl. 2/3, fio > 0,6 mm 1,02 1,02
Encordoados cl. 4/5/6, fio > 0,6 mm 1,03
Encordoados, fio ≤ 0,6 mm 1,04 1,03

Correção pela temperatura

Tab. 3: Fatores de correção da temperatura (\(K_{\theta}\)) para condutores de cobre.
Temp. (°C) Fator \(K_\theta\) Temp. (°C) Fator \(K_\theta\) Temp. (°C) Fator \(K_\theta\)
5 1,064 14 1,025 23 0,988
6 1,059 15 1,020 24 0,984
7 1,055 16 1,016 25 0,980
8 1,050 17 1,012 26 0,977
9 1,046 18 1,008 27 0,973
10 1,042 19 1,004 28 0,969
11 1,037 20 1,000 29 0,965
12 1,033 21 0,996 30 0,962
13 1,029 22 0,992    

Nota: Os valores dos fatores de correção \(K_\theta\) estão baseados no coeficiente de temperatura de resistência de 0,004°C⁻¹ a 20°C.

Efeito pelicular e de proximidade

Em corrente alternada, a resistência efetiva \(R_{CA}\) é maior que a resistência em corrente contínua (\(R\)):

\[ R_{CA} = R + \Delta R \quad (\Omega/km), \qquad \Delta R = R(y_s + y_p) \]

  • Efeito pelicular (\(y_s\)): o próprio campo magnético alternado, criado pela corrente dentro do condutor, induz correntes parasitas que se opõem à corrente no centro e a reforçam perto da superfície — por isso a densidade de corrente cresce da parte central para a periferia.
  • Efeito de proximidade (\(y_p\)): o campo magnético de um condutor vizinho (a outra fase, o neutro, o retorno) também induz correntes parasitas no condutor considerado, distorcendo ainda mais a distribuição de corrente na seção — dependendo do sentido das correntes, ela se concentra no lado mais próximo ou mais afastado do condutor vizinho.
  • Ambos crescem com a frequência e a seção do condutor — relevantes em alimentadores industriais de grande seção e alta corrente, e se agravam bastante na presença de harmônicas (cargas não lineares: inversores de frequência, retificadores).

Efeito Pelicular — Expressões 5.18 e 5.19

\[ y_s = \frac{x_s^4}{192+0,8x_s^4}, \qquad x_s = \left(\frac{8\pi f}{R}\times10^{-4}\times k_s\right)^{1/2} \]

  • \(f\): frequência (Hz); \(R\): resistência em corrente contínua (Ω/km, em serviço).
  • \(k_s\): fator experimental — a norma permite adotar \(k_s=1\) na maioria dos casos práticos.
  • Cresce com a quarta potência de \(x_s\), ou seja, com o quadrado da frequência — por isso o efeito é pequeno em 60 Hz, mas se torna significativo em cabos de grande seção ou na presença de harmônicas de corrente.

Efeito de Proximidade — Expressões 5.20 e 5.21

\[ y_p = \frac{x_p^4}{192+0,8x_p^4} \left(\frac{d_c}{l}\right)^2 \left[0,312\left(\frac{d_c}{l}\right)^2 + \frac{1,18}{\dfrac{x_p^4}{192+0,8x_p^4}+0,27}\right] \]

\[ x_p = \left(\frac{8\pi f}{R}\times10^{-4}\times k_p\right)^{1/2} \]

  • \(d_c\): diâmetro do condutor (mm); \(l\): distância entre eixos dos condutores do circuito (mm) — cuidado, aqui \(l\) não é o comprimento do cabo, apesar da mesma letra usada em outras fórmulas do capítulo.
  • \(k_p\): fator experimental, também tomado como \(k_p=1\) na prática.
  • Quanto mais próximos os condutores (maior \(d_c/l\)), maior o efeito — daí a importância do espaçamento ao agrupar condutores em paralelo por fase (seção “Instalação de condutores”).

Perdas por efeito Joule

\[ P_j = R_{CA} I_B^2 \quad (W/km) \]

onde \(I_B\) é a corrente de projeto (de carga) que circula pelo condutor.

  • Em seções pequenas e frequência industrial (50/60 Hz), \(y_s\) e \(y_p\) são desprezíveis — mas tornam-se significativos em cabos de grande seção e em condutores em paralelo por fase, exigindo agrupamento e espaçamento adequados (ver seção sobre instalação de condutores).
  • Exemplo numérico completo, separando as duas contribuições, logo adiante.

Exemplo — Verificação de \(R_{20}\)

Condutor de cobre, seção nominal 2,5 mm², classe de encordoamento 2 (7 fios, não compactado, fios nus). Calcular \(R_{20}\) pela Expressão 5.7 e comparar com o valor tabelado (Tabela 5.8): 7,41 Ω/km.

Dados: \(\rho_{20}=17,241\times10^{-3}\ \Omega \cdotp mm^2/m\); \(n=7\); \(k_1=1,02\); \(k_2=1,02\); \(k_3=1,00\) (condutor isolado).

Código
# Exemplo - Resistência normativa R20 (NBR NM 280, Expressão 5.7)
rho20 = 17.241e-3   # Ω·mm²/m (cobre recozido, Tabela 5.2)
S = 2.5             # mm² (seção nominal)
n = 7               # fios (classe 2, não compactado)
d = sqrt(4*S/(n*pi))  # diâmetro de cada fio (mm)

k1, k2, k3 = 1.02, 1.02, 1.00   # Tabelas 5.3 e 5.4 (cobre nu, fio > 0,6 mm)

R20 = (4*rho20)/(n*pi*d^2) * k1*k2*k3 * 1000   # Ω/km

println("Diâmetro de cada fio: ", round(d, digits=3), " mm")
println("R20 calculado: ", round(R20, digits=2), " Ω/km")
println("R20 tabelado (Tabela 5.8, fios nus): 7,41 Ω/km")
Diâmetro de cada fio: 0.674 mm
R20 calculado: 7.18 Ω/km
R20 tabelado (Tabela 5.8, fios nus): 7,41 Ω/km

Diferença de cerca de 3% em relação ao valor tabelado — compatível com a margem de fabricação prevista na norma, já que a Tabela 5.8 fornece o valor máximo admissível.

Exemplo — Aplicação: perdas Joule em serviço

Considerando esse mesmo condutor operando a 70°C (isolação de PVC) e conduzindo uma corrente de projeto \(I_B = 18\) A, obter a resistência em serviço (\(R_u\), Expressão 5.8) e as perdas por efeito Joule (efeitos pelicular/proximidade desprezíveis nesta seção pequena).

Código
# Aplicação - Resistência em serviço (Expressão 5.8) e perdas Joule (Expressão 5.22)
alpha20_Cu = 0.004   # °C⁻¹ (cobre, NBR NM 280)
theta_u = 70.0       # °C (temperatura de serviço - isolação PVC)
IB = 18.0            # A (corrente de projeto)

Ru = R20 * (1 + alpha20_Cu*(theta_u - 20))   # Ω/km

Pj = Ru * IB^2   # W/km

println("Resistência a 70°C (Ru): ", round(Ru, digits=2), " Ω/km")
println("Perdas por efeito Joule: ", round(Pj, digits=1), " W/km")
Resistência a 70°C (Ru): 8.61 Ω/km
Perdas por efeito Joule: 2789.6 W/km

Exemplo — Efeitos Pelicular e de Proximidade em um Alimentador

Alimentador industrial trifásico de grande corrente: cabo de cobre, 240 mm², classe 2, isolação XLPE/PVC (serviço a 70°C), instalado em trifólio (condutores se tocando), com \(I_B = 400\) A, ao longo de 500 m.

Parâmetro Valor
Seção (\(S\)) 240 mm²
\(R_{20}\) (Tabela 5.8, fios nus) 0,0754 Ω/km
Diâmetro do condutor (\(d_c\)) ≈ 17,5 mm (idealizado, circular)
Distância entre eixos (\(l\)) 22 mm (trifólio)
Corrente de projeto (\(I_B\)) 400 A
Comprimento 500 m
Código
# Exemplo — Efeitos pelicular e de proximidade em um alimentador industrial
# Cabo de cobre, 240 mm², classe 2 (encordoado), instalado em trifólio (condutores
# se tocando) com outros 2 condutores do mesmo circuito (ida/retorno de um
# alimentador trifásico de grande corrente).

S    = 240.0     # mm² (seção nominal)
R20  = 0.0754     # Ω/km (Tabela 5.8, cobre, classe 2, fios nus)
alpha20 = 0.004   # °C⁻¹ (cobre, NBR NM 280)
theta_u = 70.0    # °C (temperatura de serviço, isolação XLPE/PVC)
f    = 60.0       # Hz (frequência industrial no Brasil)
IB   = 400.0      # A (corrente de projeto do alimentador)
comprimento_km = 0.5   # km (500 m de linha)

ks = 1.0          # valor experimental, tomado igual à unidade (o próprio livro permite)
kp = 1.0

dc = sqrt(4*S/pi)         # mm -- diâmetro equivalente do condutor (idealizado, circular)
l  = 22.0                 # mm -- distância entre eixos dos condutores (trifólio, tocando-se)

# Resistência em serviço (Expressão 5.8, já usada antes) --------------------
Ru = R20 * (1 + alpha20*(theta_u - 20))   # Ω/km

# Efeito pelicular (Expressões 5.18/5.19) ------------------------------------
xs = sqrt(8*pi*f/Ru * 1e-4 * ks)
ys = xs^4 / (192 + 0.8*xs^4)

# Efeito de proximidade (Expressões 5.20/5.21) -------------------------------
xp = sqrt(8*pi*f/Ru * 1e-4 * kp)
yp = (xp^4/(192+0.8*xp^4)) * (dc/l)^2 * (0.312*(dc/l)^2 + 1.18/(xp^4/(192+0.8*xp^4) + 0.27))

# Resistência em corrente alternada e perdas Joule (Expressões 5.16/5.17/5.22)
DeltaR = Ru * (ys + yp)
RCA    = Ru + DeltaR
Pj_km  = RCA * IB^2                 # W/km
Pj_tot = Pj_km * comprimento_km     # W, para os 500 m da linha

println("Dados do condutor:")
println(rpad("  dc = $(round(dc, digits=1)) mm", 26), "l = $(l) mm  (dc/l = $(round(dc/l, digits=2)))")
println(rpad("  Ru (70°C) = $(round(Ru, digits=4)) Ω/km", 26), "IB = $(IB) A")
println()
println("Efeitos em corrente alternada (f = $(f) Hz):")
println(rpad("  y_s = $(round(100*ys, digits=2))%", 26), "y_p = $(round(100*yp, digits=2))%")
println(rpad("  R_CA = $(round(RCA, digits=4)) Ω/km", 26), "aumento = $(round(100*DeltaR/Ru, digits=1))%")
println()
println("Perdas por efeito Joule:")
println(rpad("  Pj = $(round(Pj_km, digits=0)) W/km", 26), "Pj (500 m) = $(round(Pj_tot, digits=0)) W")
Dados do condutor:
  dc = 17.5 mm            l = 22.0 mm  (dc/l = 0.79)
  Ru (70°C) = 0.0905 Ω/km IB = 400.0 A

Efeitos em corrente alternada (f = 60.0 Hz):
  y_s = 1.43%             y_p = 3.93%
  R_CA = 0.0953 Ω/km      aumento = 5.4%

Perdas por efeito Joule:
  Pj = 15252.0 W/km       Pj (500 m) = 7626.0 W

Efeito da Frequência (Harmônicas)

Para a mesma geometria, variando \(f\) — cargas industriais não lineares (inversores de frequência, retificadores) que injetam harmônicas de corrente.

Código
using Plots

# Mesmo condutor do exemplo anterior (240 mm², trifólio), variando só a frequência
# -- útil para visualizar o impacto de harmônicas de corrente em cargas industriais
# (retificadores, inversores de frequência) além da fundamental de 60 Hz.

Ru = 0.0905    # Ω/km (resistência em serviço, 70°C, já calculada antes)
dc_l = 0.79    # dc/l do exemplo (trifólio)
ks = 1.0
kp = 1.0

freqs = range(1, 780, length=400)   # até a 13ª harmônica de 60 Hz

function y_s(f)
    xs = sqrt(8*pi*f/Ru * 1e-4 * ks)
    return xs^4 / (192 + 0.8*xs^4)
end

function y_p(f)
    xp = sqrt(8*pi*f/Ru * 1e-4 * kp)
    base = xp^4/(192+0.8*xp^4)
    return base * dc_l^2 * (0.312*dc_l^2 + 1.18/(base + 0.27))
end

ys_vals = y_s.(freqs)
yp_vals = y_p.(freqs)
total_vals = ys_vals .+ yp_vals

plt = plot(freqs, 100 .* ys_vals,
    label="Efeito pelicular (yₛ)",
    linewidth=2,
    xlabel="Frequência (Hz)",
    ylabel="Aumento da resistência (%)",
    legend=:topleft,
    size=(560, 360),
)
plot!(plt, freqs, 100 .* yp_vals, label="Efeito de proximidade (yₚ)", linewidth=2)
plot!(plt, freqs, 100 .* total_vals, label="Total (yₛ+yₚ)", linewidth=2, linestyle=:dash, color=:black)
vline!(plt, [60], label="60 Hz (fundamental)", linestyle=:dot, color=:gray)

println("y_s(60Hz)=", round(100*y_s(60), digits=2), "%   y_p(60Hz)=", round(100*y_p(60), digits=2), "%")
println("y_s(300Hz)=", round(100*y_s(300), digits=2), "%  y_p(300Hz)=", round(100*y_p(300), digits=2), "%  (5ª harmônica)")
println("y_s(780Hz)=", round(100*y_s(780), digits=2), "%  y_p(780Hz)=", round(100*y_p(780), digits=2), "%  (13ª harmônica)")

display(plt)
y_s(60Hz)=1.43%   y_p(60Hz)=3.88%
y_s(300Hz)=28.04%  y_p(300Hz)=40.93%  (5ª harmônica)
y_s(780Hz)=82.7%  y_p(780Hz)=65.57%  (13ª harmônica)
Fig. 11: Efeitos pelicular (\(y_s\)) e de proximidade (\(y_p\)) no aumento de \(R_{CA}\), em função da frequência – cabo de 240 mm², dc/l = 0,79.

Reatância Indutiva

A indutância (\(L\)) e a reatância (\(X_L\)) dependem da distância entre os condutores:

\[ L = k + 0,46 \log \frac{2S_M}{d_c} \quad (mH/km) \]

\[ X_L = 2\pi f L \times 10^{-3} \quad (\Omega/km) \]

Isolações

Gradiente e Rigidez Dielétrica

  • A isolação é o material dielétrico que separa o condutor do meio, suportando a diferença de potencial entre eles.
  • Gradiente de potencial: A variação do campo elétrico no dielétrico. A rigidez dielétrica é crucial na escolha do material.
Fig. 12: Gradiente de potencial no dielétrico.

Materiais Utilizados

Podem ser estratificados (papel impregnado a óleo) ou sólidos (termoplásticos e termofixos).

  • Papel impregnado: ainda utilizado, principalmente, em cabos de média e de alta tensão.
  • Cabo OF (oil-filled): cabo a óleo mineral fluido submetido a uma baixa pressão.
  • Isolantes sólidos: são, hoje em dia, os mais utilizados nos cabos de baixa e de média tensão.

Características comuns dos isolantes sólidos

  • Homogeneidade da isolação e boa resistência ao envelhecimento em serviço.
  • Ausência de escoamento.
  • Reduzida sensibilidade à umidade.
  • Insensibilidade às vibrações.
  • Bom comportamento ao fogo.

Cloreto de Polivinila (PVC)

  • Composição: mistura de cloreto de polivinila puro (polímero) com plastificantes, estabilizantes e cargas. Termoplástico.
  • Rigidez dielétrica: elevada.
  • Perdas dielétricas: elevadas.
  • Estabilidade química: considerável.
  • Fogo: transmite mal o fogo.
  • Envelhecimento térmico: pode ser eficazmente combatido com estabilizantes.
  • Coloração: facilmente colorido com cores vivas.
  • Aplicação: ótimo isolante para cabos de potência em BT e MT (até 10 kV).

Borracha Etileno-Propileno (EPR)

  • Reticulação: compostos de EPR são, em geral, reticulados por meio de peróxidos orgânicos (termofixo).
  • Flexibilidade: muito grande.
  • Descargas e radiações ionizantes: resistência excepcional.
  • Ângulo de perdas: bastante baixo.
  • Deformação térmica: boa resistência.
  • Umidade: absorção razoável.
  • Envelhecimento térmico: bom comportamento.
  • Rigidez dielétrica: baixa dispersão.
  • Conclusão: ótimo isolante sólido.

Polietileno Reticulado (XLPE)

  • Reticulação: a reticulação química do polietileno torna-o termofixo, adequado à construção de isolações de cabos.
  • Deformação térmica: resistente (suporta até 250 °C no curto-circuito).
  • Fissuração (stress cracking): a reticulação faz desaparecer por completo essa tendência.
  • Baixas temperaturas: a reticulação não modifica sensivelmente o bom comportamento do polietileno.
  • Cargas minerais e orgânicas: a reticulação permite a incorporação, melhorando o comportamento mecânico.
  • Aplicação: cabos de baixa e de média tensão.

Blindagens

Blindagens

  • Sobre o condutor (interna): Torna o campo elétrico uniforme, evitando ionizações localizadas e depreciação.
  • Sobre a isolação: Distribui uniformemente o campo radial dentro do cabo isolado.
Fig. 13: Campo elétrico do condutor (a) sem blindagem e (b) com blindagem.
Fig. 14: Blindagem sobre a isolação.

Nos cabos secos, a camada condutora é constituída por fitas ou fios de cobre e fornece um caminho de baixa impedância para a condução das correntes induzidas provenientes das correntes de curto-circuito de outros cabos.

Fig. 15: Cabos blindados.

Proteção

Proteções

  • Não Metálicas: Cobertura externa contra sol, chuva e produtos químicos (geralmente PVC, neoprene).
  • Metálicas: Armações (fita de aço) aplicadas para resistir a danos mecânicos e esforço de tração.
Fig. 16: Proteção não metálica.

Fig. 17: Proteções metálicas dos cabos.

Níveis de isolamento de tensão

Tensão de isolamento

A escolha da tensão de isolamento (\(V_0/V\)) depende da categoria do sistema (como ele aterra seu neutro):

  • Categoria 1: Sistemas que eliminam a falta terra rapidamente (máximo 1h).
  • Categoria 2: Sistemas que operam mais tempo em condição de falta fase-terra, submetendo as fases não afetadas a sobretensões maiores (\(U \times \sqrt{3}\)).

Tabela 5.19 — Tensão de isolamento do cabo (\(V_0\))

Tab. 4: Tabela 5.19 — NBR 6251
Tensão nominal (kV) Tensão máx. de operação (kV) \(V_0\) Categoria 1 (kV) \(V_0\) Categoria 2 (kV)
1 1,2 0,6
3 3,6 1,8
6 7,2 3,6 6
10 12,0 6 8,7
15 17,5 8,7 12
20 24,0 12 15
25 30,0 15 20
35 42,0 20 27

Níveis de isolamento americanos (ICEA/AEIC)

  • Nível 100% (NA): faltas fase-terra eliminadas em até 1 minuto — sistemas com neutro diretamente aterrado.
  • Nível 133% (NI): desligamento em 1 minuto não garantido, mas eliminação provável em até 1 hora — neutro isolado ou aterrado por impedância.
  • Nível 173%: tempo de desligamento indefinido.

A Categoria 1 da NBR 6251 engloba os níveis 100% e 133% (NA e NI).

Equivalência de classes de tensão — Tabela 5.20

Tab. 5: Tabela 5.20 — Equivalência entre classificações
Normas americanas (kV) NBR 6251 (kV)
0,6 0,6/1
3 1,8/3
5 3,6/6
8 NI 6/10
15 NA 8,7/15
15 NI 12/20
25 NA 15/25
25 NI 20/35
35 NA 20/35
35 NI 27/35

Perdas dielétricas

Parcela resistiva e capacitiva

  • Ocorrem nos cabos energizados em AC.
  • A corrente \(I\) que flui pelo dielétrico é composta por duas parcelas:
    • Ativa (perdas)
    • Puramente reativa (capacitiva)

\[ I = \sqrt{I_p^2 + I_c^2} \]

  • \(I_p\): corrente em fase com a tensão fase-terra \(V_0\), responsável pelas perdas.
  • \(I_c\): corrente que flui pelo capacitor equivalente (adiantada 90° em relação a \(U_0\)).

Perdas dielétricas

\[ P_d = U_0 I_p \quad \text{e} \quad I_p = I_c \cdot \text{tg } \delta \]

Logo: \[ P_d = U_0 I_c \text{ tg } \delta \]

\[ X_c = \frac{1}{2\pi f C} (\Omega \cdot \text{km}) \quad \text{e} \quad I_c = \frac{U_0}{X_c} \]

Obtêm-se duas expressões para as perdas dielétricas:

\[ P_d = 2\pi f C U_0^2 \cdot \text{tg } \delta \text{ (W/km)} \] \[ P_d = \frac{U_0^2 \cdot \text{tg } \delta}{X_c} \text{ (W/km)} \]

Fig. 18: Definição do ângulo \(\delta\)

Fator de perdas (\(\text{tg } \delta\))

O fator \(\text{tg } \delta\) é chamado fator de perdas. Seus valores máximos admissíveis à temperatura de serviço são:

  • 0,100 para cabos com isolação em PVC.
  • 0,040 para cabos com isolação em EPR.
  • 0,008 para cabos com isolação em XLPE.

Cabos sob fogo e incêndio

Classificação

Os cabos elétricos possuem volume de orgânicos combustíveis. Classificação:

  1. Propagador da chama: Entra em combustão e mantém o fogo (ex: XLPE, EPR puro).
  2. Propagação reduzida: O material isolante/cobertura é auto-extinguível dependendo do tempo de exposição (ex: PVC).
  3. Resistente à chama: Não propaga a chama mesmo com exposição longa.
  4. Baixa emissão de fumaça e gases tóxicos: Isentos de compostos halogenados, vitais para locais de alta densidade de público.
  5. Circuitos de segurança: Mantêm a integridade do circuito (ex: alarmes, bombas) mesmo durante o incêndio.

Designação e Normas

Norma

  • NBR 9311: Define a designação (Número, Seção Nominal, Material, Isolação, Blindagem).
  • As normas definem os ensaios de propagação vertical da chama, queima em feixes e emissão de fumaça para a aprovação dos materiais.

Exemplos de Designação de Cabos - Parte 1

Como ler a designação de um cabo? A nomenclatura nos informa quantidade, seção, encordoamento, isolação e tensão suportada.

  • 1 x 6 MV-F 450/750 V
    • 1 x 6: 1 condutor de 6 mm² (cobre).
    • M: Maciço.
    • V-F: Isolação em PVC (70°C) resistente à chama.
    • 450/750 V: Tensão de isolamento.
  • 1 x 35 R2 VV-F 0,6/1 kV
    • 1 x 35: 1 condutor de 35 mm² (cobre).
    • R2: Encordoamento classe 2.
    • VV-F: Isolação em PVC (V) + Cobertura em PVC (V), resistente à chama (F).
    • 0,6/1 kV: Tensão de isolamento.

Exemplos de Designação - Parte 2

  • 3 x 25 R2 E OV 0,6/1 kV
    • 3 x 25: Cabo tripolar, condutores de 25 mm² (cobre).
    • R2: Encordoamento classe 2.
    • E OV: Isolação de EPR para 90°C (E) com cobertura de PVC (V).
    • 0,6/1 kV: Tensão de isolamento.
  • 3 x 1 x 95 + 50 N AR 2 Z 0,6/1 kV
    • Cabo multiplexado auto-sustentado.
    • Fases: 3 condutores de alumínio (A) de 95 mm², classe 2 (R2), isolados em XLPE (Z) para 90°C.
    • Neutro: 1 condutor de sustentação de alumínio liga NU (N) de 50 mm².

Linhas elétricas

Tipos de linhas elétricas

Linha (elétrica): conjunto constituído por um ou mais condutores, com os elementos de sua fixação e proteção mecânica.

Tipos de Linhas:

  • Linha aberta e Linha aérea
  • Linha aparente e Linha em parede ou no teto
  • Linha embutida e Linha subterrânea
  • Linha pré-fabricada

Elementos de fixação, suporte e proteção mecânica:

  • Bandeja, Prateleira, Escada ou leito para cabos, Suportes horizontais.
  • Eletroduto, Eletrocalha, Canaleta, Moldura, Bloco alveolado, Perfilado.
  • Caixa de derivação, Condulete.
  • Galeria, Poço, Espaço de construção.
Fig. 19: Eletrocalha com paredes perfuradas e tampa removível encaixada.
Fig. 20: Corte de uma canaleta (com tampa) ventilada.
Fig. 21: Corte de um bloco alveolado com dois furos

Conexões — Aspectos gerais

A NBR 5410 exige que as conexões entre condutores, e destes com equipamentos, assegurem contatos firmes e duráveis, sejam inspecionáveis e estejam protegidas mecanicamente (caixas, quadros, canaletas etc.).

  • Devem suportar os esforços de correntes nominais e de curto-circuito previstos pelos dispositivos de proteção do circuito.
  • Não podem sofrer modificações inadmissíveis por aquecimento, envelhecimento do isolante ou vibrações em serviço normal.
  • A pressão de contato não deve depender do material isolante.
  • Exceto em linhas aéreas ou de contato para equipamentos móveis, não podem ficar sujeitas a esforços de tração ou de torção.

Soldagem, contato a pressão e conectores

  • As conexões devem ser feitas por soldagem ou por contato a pressão (conectores prensados).
  • É proibida a solda a estanho na terminação de condutores para ligá-los a bornes ou terminais de dispositivos e equipamentos.
  • Uso de solda em condutores/cabos com isolação termofixa limita a temperatura de curto-circuito a 160°C.
  • Conexões prensadas devem ser feitas com ferramentas adequadas ao tipo e ao tamanho do conector, conforme recomendação do fabricante.

Conexões de condutores de alumínio

  • A conexão direta ao alumínio só é admitida com meios de conexão específicos para esse metal.
  • Na falta desses meios, o condutor de alumínio deve ser emendado a um trecho de cobre por meio de conector especial.
  • Conexões por parafuso: a pressão de contato é assegurada pelo controle de torque durante o aperto (valor definido pelo fabricante do conector ou do equipamento).
  • Em condutores de alumínio, só são admitidas emendas por conectores de compressão ou solda adequada — nunca solda a estanho.
  • A conexão entre cobre e alumínio deve ser feita exclusivamente com conectores bimetálicos.

Condições gerais de instalação

  • Influências externas: a proteção do tipo de linha instalada deve ser assegurada de maneira contínua ao longo de todo o percurso.
  • Extremidades: nos pontos de entrada em equipamentos, a proteção deve se manter contínua, com estanqueidade se necessário.
  • Travessias de paredes e pisos: proteção mecânica adequada; cuidado especial com condensação em travessias entre ambientes de umidade distinta.

Proximidade de outras canalizações

  • Distância mínima de 3 cm entre linhas elétricas e canalizações não elétricas (não se aplica a linhas embutidas).
  • Evitar proximidade com canalizações de calefação, ar quente ou dutos de exaustão de fumaça; nunca utilizar dutos de fumaça/ventilação para conter condutores.
  • Linhas de baixa tensão e linhas com tensões acima de 1.000 V não devem compartilhar as mesmas canaletas ou poços, salvo precauções contra energização cruzada em caso de defeito.

Faixas de tensão — Tabela 5.26

Circuitos das faixas I e II não devem compartilhar a mesma linha elétrica — a menos que todos os condutores sejam isolados para a tensão mais elevada presente, ou que sejam usados compartimentos/condutos fechados separados. Regra especialmente relevante para não misturar BT e MT no mesmo eletroduto ou canaleta.

Tab. 6: Tabela 5.26 (resumida, valores em corrente alternada — ver norma para corrente contínua)
Faixa Aterrado — fase/terra (CA) Aterrado — entre fases (CA) Não aterrado — entre fases (CA)
I U ≤ 50 V U ≤ 50 V U ≤ 50 V
II 50 < U ≤ 600 V 50 < U ≤ 1.000 V 50 < U ≤ 1.000 V

Instalação de condutores — múltiplos circuitos

Cabos multipolares só devem conter os condutores de um único circuito (e, se for o caso, o respectivo condutor de proteção).

Em condutos fechados (eletrodutos, eletrocalhas, blocos alveolados etc.), condutores de mais de um circuito são admitidos se:

  • Os circuitos pertencerem à mesma instalação, originando-se do mesmo dispositivo geral de manobra e proteção, sem transformação de corrente entre eles; e
  • As seções dos condutores de fase estiverem contidas em um intervalo de até 3 valores normalizados sucessivos (ex.: 2,5, 4 e 6 mm²); e
  • Todos os condutores tiverem a mesma temperatura máxima de serviço contínuo e forem isolados para a tensão nominal mais alta presente;
  • Ou, alternativamente, forem circuitos de força, comando e/ou sinalização de um mesmo equipamento.

Condutores em paralelo por fase

Procedimento relevante em alimentadores industriais de alta corrente: os condutores em paralelo devem ser reunidos em tantos grupos quantos forem os condutores por fase, cada grupo contendo um condutor de cada fase, instalados nas proximidades imediatas uns dos outros.

  • Objetivo: reduzir a reatância indutiva do circuito e a impedância do percurso de falta.
  • Exemplo (circuito trifásico com neutro e PE, 3 condutores por fase): usar 3 eletrodutos, cada um contendo uma fase, um neutro e um condutor de proteção — solução menos econômica, porém termicamente melhor que reunir os 9 condutores de fase mais neutro e PE em um único eletroduto (efeito térmico mais acentuado).

Eletrodutos - Part 1

A função principal de um eletroduto é conter o caminho da fiação elétrica e proteger os condutores contra certas influências externas (como choques mecânicos).

Materiais de Fabricação:

  • Metálicos: Geralmente de aço-carbono, são resistentes à corrosão (galvanizados, zincados ou esmaltados).
  • Isolantes: Geralmente em PVC ou polietileno. Os de PVC são os mais utilizados no Brasil.

Eletrodutos metálicos rígidos:

  • NBR 5597: tipos pesado e extra.
  • NBR 5598: um único tipo, de paredes mais grossas.
  • Destinados, em princípio, a instalações industriais e análogas.

Eletrodutos - Part 2

Classificação (Rígidos ou Isolantes):

  • Rígido: não pode ser curvado a não ser com ajuda mecânica.
  • Curvável: pode ser curvado com a mão, usando uma força razoável.
  • Transversalmente elástico: curvável; deformado sob força transversal, retoma a forma original logo após.
  • Flexível: metálico ou isolante, curvado com força reduzida, destinado a ser freqüentemente dobrado.

Ocupação de Eletrodutos e Instalações

  • Ocupação Máxima: Apenas \(53\%\) da área útil para 1 cabo, \(31\%\) para 2 cabos, e \(40\%\) para 3 ou mais.
  • Trechos Contínuos: Até 15m (internos) e 30m (externos) se retilíneos. Subtrair 3m para cada curva de 90°.
  • Caixas de Derivação: Obrigatórias em pontos de entrada/saída, emendas, derivações ou para dividir a tubulação.

Cálculo da Ocupação de um Eletroduto

A área útil (\(A_E\)) de um eletroduto: \[ A_E = \frac{\pi}{4}(d_e - 2e)^2 \quad (\text{mm}^2) \] onde \(d_e\) é o diâmetro externo e \(e\) a espessura.

A área total de um condutor/cabo isolado (\(A_c\)): \[ A_c = \frac{\pi}{4}d^2 \quad (\text{mm}^2) \]

O número máximo (\(N\)) de condutores iguais (para 3 ou mais): \[ N = \frac{0,4 A_E}{A_c} \]

Exemplo

Queremos instalar condutores isolados de 2,5 mm² (diâmetro \(d = 3,7\) mm) em um eletroduto de aço carbono tamanho 20 (\(d_e = 26,5\) mm e \(e = 2,25\) mm). Quantos condutores cabem no eletroduto?

Código
# Dados do Exemplo 1
d = 3.7       # diâmetro do condutor isolado (mm)
de = 26.5     # diâmetro externo do eletroduto (mm)
e = 2.25      # espessura do eletroduto (mm)

# Cálculo das áreas
Ac = (pi / 4) * d^2
Ae = (pi / 4) * (de - 2*e)^2

# Cálculo do número de cabos (ocupação de 40%)
N = (0.4 * Ae) / Ac

println("Área útil do eletroduto (Ae): ", round(Ae, digits=2), " mm²")
println("Área do condutor (Ac): ", round(Ac, digits=2), " mm²")
println("O número máximo de condutores é: ", floor(Int, N))
Área útil do eletroduto (Ae): 380.13 mm²
Área do condutor (Ac): 10.75 mm²
O número máximo de condutores é: 14

Exemplo 2

Devemos instalar três circuitos em um mesmo eletroduto rígido de PVC:

  • Circuito 1: 3 condutores de 2,5 mm² (d = 3,7 mm).
  • Circuito 2: 3 condutores de 4 mm² (d = 4,2 mm).
  • Circuito 3: 4 condutores de 6 mm² (d = 4,8 mm).

Qual a área mínima útil necessária para esse eletroduto?

Código
# Dados do Exemplo 2
    c1_qtd, c1_d = 3, 3.7
    c2_qtd, c2_d = 3, 4.2
    c3_qtd, c3_d = 4, 4.8

    # Cálculo das áreas de cada circuito
    Ac1 = c1_qtd * (pi / 4) * c1_d^2
    Ac2 = c2_qtd * (pi / 4) * c2_d^2
    Ac3 = c3_qtd * (pi / 4) * c3_d^2

    Ac_total = Ac1 + Ac2 + Ac3

    # Área útil exigida (ocupação máxima de 40% para 3 ou mais condutores)
    Ae_min = Ac_total / 0.4

    println("Área total dos condutores (Ac): ", round(Ac_total, digits=2), " mm²")
    println("A área mínima útil do eletroduto deve ser de: ", round(Ae_min, digits=2),
  " mm²")
Área total dos condutores (Ac): 146.2 mm²
A área mínima útil do eletroduto deve ser de: 365.5 mm²

Com base nessa área, escolhemos nas tabelas comerciais o eletroduto cujo tamanho atenda esse requisito.

Molduras, eletrocalhas e blocos alveolados

Condutos para instalação aparente — não podem ser embutidos nem cobertos por qualquer material (papel de parede, tecido etc.).

  • Molduras: só admitem condutores isolados (caso mais comum) ou cabos unipolares; cada ranhura só pode conter condutores/cabos de um mesmo circuito.
  • Eletrocalhas: admitem condutores isolados e cabos uni e multipolares.
  • Blocos alveolados: condutores instalados por puxamento — recomenda-se cabos uni/multipolares, devido às irregularidades internas (paredes e junções dos blocos).
  • Ocupação: embora a NBR 5410 não fixe uma área máxima para eletrocalhas e blocos alveolados, recomenda-se que não seja superior a 40% da área útil.

Perfilados

  • Nos perfilados, podem ser instalados condutores isolados, cabos unipolares e multipolares.
  • Atenção: O uso de condutores isolados em perfilados abertos, perfurados ou sem tampa só é admitido se:
    • Estiverem instalados em locais só acessíveis a pessoas advertidas (BA4) ou qualificadas (BA5).
    • Ou instalados a uma altura mínima de 2,50 m do piso.

Exemplos de Tipos de Linhas

Tab. 7: Tipos de linhas elétricas (maneira de instalar).
Esquema Ilustrativo Descrição Método Ref.
1 Condutores isolados unipolares em eletroduto circular embutido em parede termicamente isolante. A1
12 Cabos unipolares ou cabo multipolar em bandeja não perfurada, perfilado ou prateleira. C
21 Cabos unipolares ou multipolares em espaço de construção. B1/B2
52 Cabos unipolares/multipolar embutido(s) diretamente em alvenaria sem proteção adicional. C

Linhas Subterrâneas e em Canaletas

  • Cabos enterrados: A NBR 5410 admite, em linhas enterradas (cabos diretamente enterrados ou em eletrodutos enterrados), somente cabos unipolares ou multipolares.
  • Em linhas com cabos diretamente enterrados sem proteção mecânica adicional, só são admitidos cabos armados.
  • Condutores isolados em eletroduto enterrado só são admitidos se, no trecho enterrado, não houver nenhuma caixa de passagem e/ou derivação enterrada e for garantida a estanqueidade do eletroduto.
  • Profundidades mínimas:
    • \(0,70\) m em terreno normal;
    • \(1,00\) m na travessia de vias acessíveis a veículos (e com \(0,50\) m de largura disponível).
  • Afastamento mínimo de 0,20 m entre duas linhas elétricas enterradas que venham a se cruzar, e entre uma linha elétrica enterrada e qualquer linha não elétrica cujo percurso se avizinhe ou cruze com o da linha elétrica.

Bandejas, leitos e escadas para cabos

Recomendam-se cabos unipolares e multipolares (também se admitem condutores isolados com isolação de XLPE, conforme a NBR 7283, dada a maior espessura da isolação).

  • Recomenda-se disposição em camada única, embora múltiplas camadas sejam admitidas, desde que reduzida a possibilidade de propagação de incêndio entre os cabos.
  • Limite do volume de material combustível (isolação + cobertura) por metro linear de linha:
    • 7 dm³/m — cabos categoria A ou A F/R (NBR NM IEC 60332-3-22 e 3-21).
    • 3,5 dm³/m — categoria B (NBR NM IEC 60332-3-23).
    • 1,5 dm³/m — categoria C (NBR NM IEC 60332-3-24).

Exemplo — Volume de material combustível

Cabo unipolar categoria A, seção 50 mm², isolação e cobertura de PVC: diâmetro do condutor \(d_c = 8,05\) mm; diâmetro externo \(d = 14\) mm.

Volume de material combustível (isolação + cobertura) por metro linear:

\[ V = \frac{\pi}{4}\left(d^2 - d_c^2\right) \times 10^{-3} \quad (dm^3/m) \]

Quantos cabos desse tipo podem ser agrupados, considerando apenas as condições de propagação de fogo (limite de 7 dm³/m, categoria A)?

Código
# Exemplo - Volume de material combustível por metro linear (NBR NM IEC 60332-3)
dc = 8.05     # mm (diâmetro do condutor)
d  = 14.0     # mm (diâmetro externo do cabo)

# Área da coroa (isolação + cobertura), convertida de mm² para dm³ por metro
V = (pi/4) * (d^2 - dc^2) * 1e-3   # dm³/m

limite_A = 7.0   # dm³/m (categoria A)
n_cabos = round(Int, limite_A / V)

println("Volume de material combustível: ", round(V, digits=3), " dm³/m")
println("Número máximo de cabos agrupados (categoria A): ", n_cabos)
Volume de material combustível: 0.103 dm³/m
Número máximo de cabos agrupados (categoria A): 68

Resultado compatível com o valor de referência do livro (0,103 dm³/m → 68 cabos). Como o próprio autor observa, essa quantidade não é uma solução adequada do ponto de vista da capacidade de condução de corrente — o limite de material combustível costuma ser menos restritivo que o limite térmico.

Linhas sobre isoladores

Podem ser usados condutores nus, condutores isolados (inclusive em feixe), cabos uni e multipolares, e barras — estas últimas restritas a locais de serviço elétrico.

  • Uso proibido em locais de habitação.
  • Em locais comerciais ou análogos: só se admitem condutores nus em extrabaixa tensão (ex.: alimentação de lâmpadas ou equipamentos móveis).
  • Em locais industriais, condutores nus montados sobre isoladores só são admitidos em locais de serviço elétrico e em utilizações específicas — destacando-se as pontes rolantes, aplicação direta e recorrente em sistemas elétricos industriais.

Referências

COTRIM, Ademaro A. M. B. Instalações Elétricas. 5ª Edição. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2009.

Exercícios

Exercício 1

Qual a diferença entre condutor elétrico e fio elétrico?

Condutor elétrico é um termo genérico para designar o produto que transporta energia (fios, cabos, barramentos).

Fio é especificamente o produto metálico maciço e flexível, de seção transversal invariável.

Exercício 2

Quais as seis classes de encordoamento dos condutores de cobre?

  1. Classe 1: condutores sólidos (fios).
  2. Classe 2: condutores encordoados, compactados ou não.
  3. Classe 3: condutores encordoados não compactados.
  4. Classes 4, 5 e 6: condutores flexíveis com graus de flexibilidade crescentes.

Obs.: para condutores de alumínio, a NBR NM 280 indica as classes 1, 2, 3, B, C e D, que também diferem entre si pelo grau de flexibilidade.

Exercício 3

O que são cabos de potência?

São os cabos utilizados no transporte de energia elétrica em instalações de geração, transmissão, distribuição e utilização.

Exercício 4

O que é isolação de um cabo elétrico?

É o conjunto de materiais isolantes utilizados para isolar o condutor eletricamente do ambiente que o circunda e de outros condutores.

Exercício 5

Quais as três temperaturas que caracterizam um cabo de potência?

  1. Temperatura em regime permanente (serviço contínuo).
  2. Temperatura em regime de sobrecarga.
  3. Temperatura em regime de curto-circuito.

Exercício 6

Qual expressão permite calcular a variação da resistividade em função da mudança de temperatura?

\(\rho_2 = \rho_1 [1 + \alpha_1 (\theta_2 - \theta_1)]\).

Exercício 7

Quais efeitos devem ser considerados para corrigir a resistência em corrente alternada?

Devem ser considerados o efeito pelicular (Skin) e o efeito de proximidade, que aumentam a resistência aparente do cabo.

Exercício 8

Qual expressão permite calcular a reatância indutiva \(X_L\) de um condutor?

\(X_L = 2\pi f L \times 10^{-3} (\Omega/\text{km})\),

onde \(L = k + 0,46 \log(2S_M / d_c)\) em mH/km.

Exercício 9

Qual a principal finalidade da blindagem de um cabo?

A blindagem garante que o campo elétrico no isolante seja radial e uniformemente distribuído, eliminando concentrações de esforço elétrico e ionizações localizadas que depreciam o cabo.

Exercício 10

Quais os principais tipos de condutos elétricos utilizados?

  1. Eletrodutos (rígidos e flexíveis).
  2. Bandejas.
  3. Leitos (escadas para cabos).
  4. Prateleiras.
  5. Eletrocalhas.
  6. Canaletas.
  7. Blocos alveolados.

Obrigado!

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